Prefeitura e Igreja ferem um pedaço do coração da Festa de Sant’Ana de Caicó
Eu disse que só voltaria a postar notícias no início de agosto, após a Festa de Sant’Ana de Caicó.
Mas, vou postar um artigo com o qual eu concordo plenamente. Aliás, o autor, meu colega jornalista Roberto Fontes, amigo-irmão, conversou comigo na Festa do Ex-Aluno do CDS, sábado passado, sobre o assunto.
O artigo é sobre o total abandono da Praça da Liberdade nesta Festa de Sant’Ana. O local está completamente vazio à noite. Logo ali, o encontro de todas as gerações, onde a nossa “furiosa” tocava todas as noites no Coreto da Pracinha.
Confesso que, como Roberto, me senti triste e indignado ao passar pela Praça à noite e só vislumbrar cadeiras vazias. Acho que o prefeito Bibi Costa e a Igreja feriram mortalmente a Festa de Sant’Ana ao desprezarem o Coreto da Pracinha.
Que boa parte da estrutura da Festa fosse transferida para a Ilha de Sant’Ana, tudo bem. Mas, a tradição não poderia ter sido banida.
Igualmente a Roberto, eu também quero minha Festa de Sant’Ana de volta!
Confira abaixo o belo texto de Roberto Fontes:
Escrito por Oliveira Wanderley às 05h40
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Quero a minha festa de volta
Roberto Fontes
Sexta-feira, dia 19 de julho de 2007, segundo dia da Festa de Sant'Ana de Caicó. O relógio marcava 20h10. Estou na Praça da Liberdade (Praça Dinarte Mariz, Praça do Coreto, como queiram), um dos principais símbolos da cidade, perplexo e indignado com o que eu não estou vendo. Cadê o povo? A praça estava completamente vazia. Não tinha gente ocupando as mesas do bar. Não havia ninguém fazendo o circuito da pracinha, passeio tradicional de moças e rapazes, num indo e vindo infinito de gente bonita ao seu redor.
Tive a impressão de que a Ilha de Sant'Ana, o complexo turístico construído às margens do Rio Seridó, foi o lugar designado pela Prefeitura para a instalação de todos os equipamentos de diversão e lazer, aí incluídos os bares, restaurantes, lanchonetes, parques de diversão e palcos para shows. Perfeito. Entretanto, não havia a necessidade de acabar com uma das mais importantes tradições da Festa de Sant'Ana. É possível conciliar o uso das vias públicas com o complexo turístico. Por exemplo, instalando os parques e a estrutura de shows na Ilha, e os bares e bazares ao redor da praça.
A Ilha de Sant'Ana, com seu parque temático, praça de alimentação, boxes para artesanato e anfiteatro, ginásio com quadra poliesportiva e arquibancada para milhares de pessoas, é um equipamento que deve impulsionar a atividade turística em Caicó. A cidade tem vocação, produtores culturais e know-how para realizar grandes eventos. Mas nosso povo também é culto e preserva as suas tradições com um entusiasmo de impressionar argentino. O nativo daqui diz com orgulho que nasceu em Caicó, a Terra de Sant'Ana. Mas nossa auto-estima foi abalada com as mudanças ocorridas na festa.
Sabe aquela sensação de dor e tristeza pela perda de um ente querido, pelo fim de uma carinhosa referência de sua infância? Foi o que eu senti ao ver a Praça da Liberdade vazia, ela que é literalmente o meu berço. Mamãe Maria José (in memorian) me pariu há 46 anos na casa n o 88 da Praça da Liberdade. Sei não, mas acho que se ela estivesse viva iria reclamar bastante da ausência das barracas de Afra e de dona Mariinha, das mesas de bozó-rolado e esplandim, do laça-laça, dos carrinhos de pipoca, de confeito, do tiro ao alvo e daquelas máquinas de fazer sorvete na hora.
Falta calor humano na Praça da Liberdade. Cadê a retreta da Banda de Música Recreio Caicoense no Coreto da Pracinha, que encantava todas as gerações com os seus dobrados? Cadê a saudável mistura entre o sagrado e o profano, principal característica da Festa de Sant'Ana? Para onde foi transferido o encontro de gerações, das famílias e dos visitantes, que nas últimas décadas e até 2006 era na Praça da Liberdade? E os bares e parques ao redor da praça, ao longo da Avenida Seridó e da Rua Padre Sebastião? A minha impressão é a de que a Festa de Sant'Ana foi gravemente mutilada.
Eu quero a minha Festa de volta!
Escrito por Oliveira Wanderley às 05h38
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